segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Vejamos alguns homens na Bíblia que duvidaram, mas depois creram grandemente.

1º Apóstolo Tomé: (O Dídimo cujo nome significa: Nascido do mesmo parto – Gêmeo)
A maioria conhecem a parte em que Tomé manifesta a sua incredulidade, o seu nome tem sido utilizado por muitos pregadores para mensagens sobre o assunto, e por muitos incrédulos para justificar as suas atitudes, como se Tomé fosse o símbolo da dúvida e da incredulidade. Até o cinema, geralmente, tenta diminuir a figura de Tomé apresentando-o como vacilante, desinteressado, sem entendimento.
Portanto, começo por pedir ao leitor que tente pôr de parte qualquer ideia preconcebida a respeito deste apóstolo, para que possa examinar com imparcialidade o que diz a Bíblia sobre Tomé. Vamos examinar as suas dúvidas e sentir os seus problemas.
As primeiras referências que os evangelhos nos dão sobre Tomé vêm nas listas dos apóstolos. Tanto em Mateus 10:3 como Marcos 3:18 como Lucas 6:15 o nome de Tomé aparece relacionado com o de Mateus. Por que será que os evangelistas relacionam sempre estes dois apóstolos, Tomé e Mateus? Não há resposta, mas talvez por terem trabalhado juntos ou por serem muito amigos ou por terem feitos parecidos. Mateus era pessoa ponderada e metódica. Vemos isso pelo evangelho que escreveu. Talvez Tomé também fosse assim.
Vejamos a primeira passagem que nos fala de Tomé e que se encontra em João 11:16 .Disse, pois, Tomé, chamado Dídimo, aos condiscípulos: Vamos nós também, para morrermos com ele. Uns dias antes desta passagem, Jesus em Jerusalém identifica-se como o Filho de Deus, sendo rejeitado pelos judeus que pegaram em pedras para o matar. Tendo fugido para onde estava depois do Jordão, quando ouve a mensagem de que Lazaro estava enfermo, em Betania pertíssimo de Jerusalém, todos os discípulos estavam preocupados, mas Jesus não iria mudar de idéia, ia voltar. A morte ou prisão seria quase certa, afinal Jesus tinha assumido a condição de Filho de Deus, isso era sentença de morte para os judeus. Nesta ocasião Tomé foi taxativo se Jesus vai ao encontro do perigo então: Vamos nós também, para morrermos com ele.
É nas ocasiões difíceis, que se manifestam os grandes homens e esse homem foi Tomé. Ele sabe qual a grande responsabilidade dos que seguem a Jesus. Ele sabe que é preciso ir com Jesus até à morte. Tomé foi o primeiro a decidir-se, plenamente consciente dos perigos da sua atitude. A sua coragem, fidelidade e amor para com o Mestre, levou-o a segui-lo dando o exemplo aos outros apóstolos.
Vejamos agora outra passagem em João 13:36 a João 14:6. Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho? Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.
Isso é um questionamento básico de Tomé, que provavelmente era dúvida de todos, mas ninguém perguntou e justamente na semana que Cristo seria crucificado. Para onde vamos se não sabemos o caminho?
É interessante, que enquanto Pedro manifestara a sua intenção de morrer por Jesus, Tomé pelo contrário, expõe a sua ignorância e aguarda o esclarecimento de Jesus.
Como é grande a diferença entre as palavras de Tomé e de Jesus. É a diferença entre o material e o espiritual, a diferença entre o amigo do “Cristo humano” pronto a segui-lo pelos caminhos deste mundo, e o “Cristo divino” que os convidava a seguir pelo caminho dos Céus. Como poderia Tomé compreender as palavras de Jesus?
Temos agora a passagem mais conhecida em, João 20:24-29.
Ora Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles, quando veio Jesus. Disseram-lhe pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sinal dos cravos nas suas mãos, e não meter o dedo no lugar dos cravos, e não meter a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei.
E oito dias depois, estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco. Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente. Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu. Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.

Tomé não estava com os discípulos, não viu a Cristo ressurreto, então não se deixou levar pela fé aléia.
Como poderemos interpretar esta atitude de Tomé? Indiferença? Julgamos que não.
Podemos notar que, com as suas aparições, Jesus escolhia as suas testemunhas da ressurreição, aparecendo em ocasiões e em situações capazes de dissipar qualquer dúvida acerca da ressurreição.
Primeiro Maria Madalena, uma fraca testemunha em que os apóstolos não creram.
Depois aparece a mais mulheres, mais tarde a dois discípulos a caminho de Emaús cujo testemunho também foi recebido com muita reserva da parte dos outros crentes.
Em seguida aparece estando os apóstolos e outros discípulos reunidos, colocando-se no meio deles. Cristo teve o cuidado de se colocar no meio, para desfazer qualquer dúvida quanto a ilusões de óptica ou efeitos de luz. Ele se colocou no meio, para ser visto sob todos os ângulos e ainda mais do que isso. Segundo nos conta Lucas, Cristo pede alguma coisa para comer e tendo-lhe dado um pedaço de peixe assado, ele o comeu.
Jesus sabia que não só os olhares dos apóstolos mas também os dos crentes e dos críticos através dos séculos, estariam atentos aos mais ínfimos pormenores dessa cena.
Depois disto tudo, podemos dizer que Tomé já não tinha argumentos para manter a sua incredulidade. No entanto, Tomé não estivera presente nessa primeira aparição aos apóstolos.
Mas chega-se ao domingo seguinte e os apóstolos, como de costume, estavam reunidos no primeiro dia da semana e Tomé também lá estava.
Tomé já não era o mesmo Tomé crente, mas um Tomé receoso, atento a todos os pormenores com a sua crítica destrutiva. Não era um homem pronto a crer e aceitar, que pudesse ser vítima da sua auto-ilusão, mas aquele que se recusava a crer até na sua própria vista.
O Mestre voltara com a sua saudação tão conhecida. Paz seja convosco.
O Mestre não lhes dirige uma única palavra de censura. Em vez disso, voltara com a sua calma e serenidade para lhes dar a sua Paz. Essa Paz que excede todo o nosso entendimento. O Mestre está mais pronto a conceder o seu perdão do que nós a recebê-lo.
Jesus dirige-se para Tomé e coloca-se na sua frente. Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e mete-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente.
Tomé, movido pela poderosa fé que sentia no seu coração, disse o que até aí não tinha descoberto: Senhor meu, e Deus meu.
Tomé não se limita a ter uma nova opinião sobre a ressurreição de Jesus. Ele toma uma decisão. Senhor meu. Ele se arrepende e entrega-se incondicionalmente a Jesus aceitando-o como seu salvador.
Deus meu. Já não era a mesma fé sem esperança, movida pela lealdade a um amigo. Daí em diante, Tomé punha Cristo em igualdade com Deus Pai, cria em Cristo como o Filho de Deus.
Por vezes uma fé forte cresce vagarosamente.
Com esta nova experiência de Tomé e com a sua declaração de fé, quantos crentes através dos tempos tem Tomé trazido aos caminhos do Senhor? Podemos dizer que, Tomé duvidou para que nós pudéssemos crer.

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